Morreu Jorge Palma, músico que deixou também uma marca no Luxemburgo

O cantor e compositor português Jorge Palma morreu na segunda-feira à noite (21 de setembro), aos 76 anos. O músico, uma das maiores figuras da música portuguesa contemporânea, esteve no Luxemburgo em 2013, onde atuou pela primeira vez no país, no Festival Portugal Pop, em Esch/Alzette.

Jorge Palma morreu na segunda-feira à noite, aos 76 anos, vítima de uma paragem cardiorrespiratória, anunciou esta terça-feira a família.

“É com profundo pesar e consternação que a família e agência de Jorge Palma informam a sua morte, ocorrida esta segunda-feira à noite, aos 76 anos”, pode ler-se na mensagem divulgada pela família nas redes sociais.

Com uma carreira de mais de cinco décadas, Jorge Palma deixa uma obra que atravessa várias gerações e inclui algumas das canções mais marcantes da música portuguesa, como “Frágil”, “Bairro do Amor”, “Estrela do Mar”, “Na Terra dos Sonhos”, “Deixa-me Rir” e “Encosta-te a Mim”.

A família, que pediu que o músico seja lembrado “pelas suas canções e palavras”, destacou a obra construída ao longo de mais de meio século, bem como os muitos amigos que Jorge Palma conquistou em Portugal e no estrangeiro.

 

Uma estreia no Luxemburgo em 2013

Para a comunidade portuguesa no Luxemburgo, Jorge Palma fica também associado à sua passagem pelo país em 2013, quando se estreou num palco luxemburguês.

O músico atuou a 28 de setembro de 2013 na Kulturfabrik, em Esch/Alzette, integrado na quarta edição do Festival Portugal Pop, iniciativa que procurava levar ao Luxemburgo alguns dos principais nomes da música portuguesa.

Na altura, em declarações ao Contacto, Jorge Palma mostrou-se satisfeito com o convite.

“Fiquei contente por se terem lembrado de mim para tocar”, afirmou então o músico.

A presença no Luxemburgo tinha ainda um significado especial, uma vez que, apesar das suas viagens e da longa carreira internacional, Jorge Palma nunca tinha visitado o Grão-Ducado.

“Eu que, por acaso, já andei à boleia pela Europa, nos tempos em que vivi em Paris a tocar no metro músicas de Bob Dylan e Paul Simon, entre outros, nunca fui ao Luxemburgo. Por isso acho que faz todo o sentido”, contou.

O Festival Portugal Pop apresentava nesse ano um cartaz dedicado à música moderna portuguesa, com nomes como Rui Reininho, dos GNR, Luís Portugal, dos Já Fumega, Tozé Santos e Lúcia Moniz, além de Jorge Palma.

Uma carreira de mais de 50 anos

Nascido em Lisboa, em 1950, Jorge Palma começou a estudar música aos seis anos e entrou no Conservatório de Música de Lisboa aos dez.

Aos 14 anos abandonou a formação clássica para se dedicar ao pop-rock. Passou por grupos como os Sindicato e os Black Boys e, em 1972, gravou o primeiro single em nome próprio, “The Nine Billion Names of God”.

Pouco depois, abandonou Portugal e instalou-se na Dinamarca. Regressaria após o 25 de Abril, em 1974.

Em 1975 editou o primeiro álbum, “Como uma viagem na palma da mão”, ao qual se seguiram mais de uma dezena de discos de originais.

Ao longo das décadas, Jorge Palma colaborou com diferentes músicos e projetos, integrou o Palma's Gang, fez música para teatro e fez parte dos Rio Grande, além de compor para outros artistas.

Entre os seus trabalhos contam-se “Só” (1991), “É proibido fumar” (2001), “Norte” (2004), “Voo nocturno” (2007), “Com todo o respeito” (2011) e “Vida” (2023), o seu último álbum de originais.

Em 2025, apresentou o espetáculo “3 palmas na mão”, ao lado dos filhos, Vicente Palma e Francisco Palma.

Jorge Palma recebeu ao longo da carreira várias distinções. Em 2002 venceu o Prémio José Afonso com o álbum “Jorge Palma” e, em 2012, recebeu a primeira edição do Prémio Pedro Osório, da Sociedade Portuguesa de Autores.

Em 2020 foi distinguido com a Medalha de Mérito Cultural da Câmara Municipal de Lisboa e condecorado pelo então Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, como comendador da Ordem do Infante D. Henrique.

Já em abril de 2026 recebeu o Prémio Carreira dos PLAY – Prémios da Música Portuguesa, numa distinção pelo seu percurso artístico.

Texto: Redação | Lusa | Foto: Arquivo LW